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domingo, 8 de agosto de 2010


"A extroversão e a introversão são claramente uma questão de duas atitudes ou tendências antitéticas e naturais que Goethe certa vez chamou de diástole e sístole."
C. G. Jung

"O homem que não insere em sua vida um pouco de solidão
jamais desenvolverá sua capacidade intelectual"
De Quincey

Objetos Externos

Winnicott chama esses objetos de "objetos de transição" porque acredita que representam estágios intermediários entre o apego da criança à mãe e seu apego aos "objetos" posteriores, ou seja, às pessoas que a criança vem a amar e das quais passa a depender. Winnicott considera que esses objetos são mediadores entre o mundo interior da imaginação e ao mundo exterior. O lençol, a boneca ou o ursinho é claramente objeto real que existe como entidade separada da criança; porém, ao mesmo tempo, está fortemente revestido das emoções subjetivas que pertencem ao mundo interior da criança. Esse processo de mediação entre o interno e o externo pode ser descrito como o primeiro ato criativo da criança. Winnicott faz a importante observação que o uso dos objetos de transição não é patológico. Embora esses objetos forneçam segurança e conforto, podendo portanto ser considerados como substitutos para a mãe, eles não se desenvolvem porque a mãe seja inadequada. Os objetos de transição só surgem quando o bebê é capaz de revesti-los de qualidade solidárias e amorosas. Para tanto, o bebê precisa necessariamente ter experimentado apoio e amor verdadeiros. É somente quando a mãe foi introjetada pelo menos como objeto parcialmente bom que essas qualidades podem ser projetadas sobre o objeto de transição.
Anthony Storr

domingo, 4 de julho de 2010

GOYA E A SOLIDÃO

Goya tinha imaginação terrível. Seu isolamento, induzido pela surdez, levava-o a registrar suas visões de pesadelo, seu desespero causado pela loucura suas visões de pesadelo, seu ódio pela tirania e sua compaixão pelo sofrimento humano, com uma intensidade jamais alcançada por nenhum outro artista. Seu medonho quadro “Saturno Devorando seus Filhos” ornamentava uma das paredes da sua sala de jantar. É difícil compreender como um homem obcecado com esses horrores podia viver consigo próprio; mas Goya foi um dos homens mais fortes que jamais existiram. Aos oitenta e dois anos ele escreveu que não conseguia enxergar, escrever nem ouvir: “ Nada mais tenho além da vontade – e esta eu tenho em abundância”.
Anthony Storr